É uma sensação estranha.
Quem nunca sentiu a chuva se aproximando antes mesmo da primeira gota fina?
Soa como uma impressão, quase um deja vù. Uma brisa fria tão breve e sutil que, no momento seguinte, logo que a sentimos e se esvai, mal conseguimos distinguir entre o que de fato sentimos e o que se trata apenas de impressão. Um engano dos sentidos.
Dias negros se aproximam e eu acho que os sinto chegando como quem sente, por um instante, o aviso da chuva iminente.
É estranha a maneira como funcionamos. E, se não tornasse-se tão trágico algumas vezes, é definitivamente fascinante observar como o ser humano é imperfeito.
A subjetividade pode ser capaz de coisas fantásticas mas, ao mesmo tempo, nos torna frágeis, volúveis e, por vezes, perturbados.
E é essa subjetividade que nos faz únicos que nos torna mais incoerentes pois, mesmo sabendo que dias negros se aproximam, mesmo conhecendo essa brisa fria, as vezes somos compelidos a ignorar e aguardar a chegada da chuva. E simplesmente o fazemos.
maio 27, 2007
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3 comentários:
Muito bom teu texto!!!
Tbm fico indignado com a apatia das pessoas...que esperam os dias negros chegarem!!!
Ou que dependem de outros para tudo. Do gonervo para entrar em uma faculdade por taxas!
E assim por diante!
Axo que as pessoas deviam fazer que nem Cazuza dizia...
ir a luta...melhor ele dizia o seguinte
"Vai a luta e marca teu ponto na justa"
Xega de assistir o errado e de esperar os dias negros!!!
Para quê admitir que o copo está metade cheio ou metade vazio, se, afinal de contas, tudo o que se tem é meio copo?
Ou toma, ou joga na pia, oras. ;-D
Good start.
Algumas pessoas diriam que nada há a fazer, porque dois e dois são quatro, é matemática. E experimentai retrucar. Não podeis rebelar-vos. Algumas coisas não tem nada a ver com os vossos desejos nem com o fato de que as suas leis vos agradem ou não. Resta não se conformar com o fato de ter um muro de pedra e de terem sido insuficientes as suas forças.
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